Você sabe o que é marca de oralidade?

Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Essa semana nosso blog vai abordar um assunto no qual muita gente não se liga. Sabemos que o domínio da norma culta da língua portuguesa é um critério cobrado pela maioria das bancas corretoras de redação. Talvez ele seja um dos critérios mais objetivos, certo? Afinal, é só ver se o candidato cometeu ou não erros de ortografia, concordância, acentuação, etc. Isso está certo sim, mas apenas em partes. Há outros aspectos que também podem ser avaliados quando o assunto é domínio da língua portuguesa. É sobre isso que falaremos hoje. Antes de prosseguir, porém, deixo claro que vou fazer apontamentos apenas concernentes ao gênero dissertativo. 

Marcas de oralidade na redação. O que seria isso? Quando escrevemos um texto na norma culta da língua e ainda por cima dentro de um gênero textual específico, isso acaba limitando bastante a forma como vamos nos expressar. Assim, devemos evitar, por exemplo, palavras e expressões que deem ao leitor a impressão de que você está conversando com ele. Para o gênero dissertativo isso é muito ruim! Uma das características da oralidade é o fato de você estar interagindo, conversando com alguém e isso não pode acontecer na dissertação. Evite, portanto, usar palavras como: “você”, “né”, “tá” e evite também verbos no imperativo e/ou quaisquer outros tipos de interação com o leitor.

Vou fazer uns parênteses aqui para dizer que o leitor do gênero dissertativo é denominado “leitor universal”. Isso quer dizer que o seu leitor é qualquer um e não alguém especificamente, e é por isso que não podemos “conversar” com o leitor universal. É por isso também que temos que deixar tudo bem claro e explícito, pois esse leitor não pode adivinhar o que se passa na sua cabeça… mas isso já é assunto para outro post. =)

Um segundo cuidado que temos que ter é com expressões que fazem parte da linguagem oral. Você precisa tomar muito cuidado ao escolher as palavras que coloca em uma dissertação. Uma dica legal é você começar a verificar, na releitura de seu texto, se as palavras que você usou não estão muito informais, tipo o linguajar que você usaria em um churrasco da turma ou em uma pelada com os amigos. Veja alguns exemplos:

  • político “não é flor que se cheire”
  • tal coisa “pegou mal”
  • “não dá para acreditar” que não foram presos
  • fulano “fez tal coisa só por fazer”
  • pagamos tanto imposto “que não é brincadeira”
  • “desde que o mundo é mundo” há corrupção

Será que ficou claro com os exemplos? Muitas vezes são coisas bem mais sutis, palavras que escolhemos e que passam sem que percebamos, mas que, no final, acabam trazendo marcas de oralidade para o texto escrito, o que, como já disse, não é bem visto pelas bancas examinadoras.

Por fim, há mais um fator que influencia a nota do critério que avalia a norma culta da língua, que é o conjunto lexical. Esse é um ponto que tem que ser visto com equilíbrio, pois se você usa palavras muito comuns, sem fazer muitas variações de termos ou se você repete muitas vezes a mesma palavra ou expressão, isso indica que você tem um vocabulário pobre ou que não se arrisca muito. Sua nota fica na média, ou até abaixo da média nesse critério.

Por outro lado, tem gente que parece que decora o dicionário e tenta usar todas as palavras difíceis que conhece no mesmo texto, ainda que essas palavras rebuscadas não acrescentem nenhuma qualidade no texto de uma forma geral. Lembre-se que o corretor não dá nota para você só porque você sabe escrever com palavras bonitas. Isso pode, inclusive, abaixar a sua nota! Quando falei de um equilíbrio, então, quero dizer que você deve sim arriscar, variar o vocabulário e usar palavras mais “difíceis” e menos comuns. Mas você não deve fazer disso um objetivo em si, ou seja, você não pode fazer isso só por fazer. Se a sua escolha lexical não fizer sentido e não ajudar a conduzir a sua argumentação de forma clara e coerente, não adianta nada.  

Quanto a esse uso abusivo de palavras rebuscadas, beirando quase o pedantismo, trago uma paródia que os comediantes Leandro Hassum e Marcius Melhem fizeram da musiquinha infantil “Atirei o pau no gato”. Para a gente rir um pouquinho, porque ninguém é de ferro!!! =)

“Arremessei o projétil ao felino-no,

Porém o felino-no não veio a falecer-cer-cer

Progenitora Francisca-ca ficou estupefata-ta

Com o som emitido pelo animal…

Onomatopéia referente aos felinos!!!!”

Gostaram? Por hoje é isso. Uma ótima semana para vocês e até a próxima. Compartilhe com os seus amigos se você curtiu essa postagem! Ajude a gente a espalhar conteúdo de qualidade pela Internet.

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7 Comments

  1. achei muito bom e bem explicativo, muito bom

  2. achei muito bom este texto sobre a oralidade

  3. Que legal, Maria Eduarda! :)

  4. Que bom que gostou, Jefferson!

  5. Me ajudou muito pois amanhã terei uma prova de Jornalismo!! ;) Obrigado!!

    Sexta série meio complicado!!

  6. achei super explicativo,e mesmo sendo uma explicação muito importante teve um leve humor e isso é muito bom ao leitor, até mesmo para continuar no site.
    parabéns!

  7. Que bom que gostou, Juliana :)

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