Olá, pessoal! Tudo bem com vocês? Como estão os estudos? Daqui até o final de outubro é preciso dar um gás total porque em novembro já começam algumas provas de vestibular. Então vamos ao tema dessa semana aqui do blog? Como professora de redação e corretora de redação de vestibulares e concursos, percebo que muitas pessoas têm bastante dificuldade em entender o que é coerência. Bom, em primeiro lugar é preciso entender que coerência, como critério de avaliação de uma redação, extrapola o sentido “comum” dessa palavra. 

Muita gente pensa que coerência é simplesmente o contrário de incoerência, então na redação a única preocupação em relação a esse critério é não usar argumentos contraditórios, por exemplo. Essa é uma preocupação extremamente válida, mas a coerência significa muito mais que isso, principalmente porque os candidatos com mais chances de serem aprovados certamente não usarão argumentos fortemente contraditórios em suas redações, então esse não seria um critério de seleção.

De uma forma geral, a coerência diz respeito ao planejamento de ideias. Essas duas palavras são de extrema importância para entendermos o conceito de coerência cobrado nas provas de redação. Para fica mais claro, vou dar alguns exemplos práticos. Para tal, vou considerar três tipos de construções textuais: medianas, razoáveis e muito boas.

 

1) A coerência mediana

Em geral, os candidatos que tiram notas medianas cometem sempre o mesmo erro: compõem cada parágrafo como se fosse um comentário isolado sobre o tema abordado na proposta de redação. Juntando todos os parágrafos de um texto assim, temos uma lista de comentários aleatórios e não um texto com planejamento, que apresenta ideias que vão progredindo para chegar até a conclusão. Muitas vezes, as pessoas querem falar de muitos aspectos relacionados ao tema e acabam se perdendo, pois não aprofundam nenhum deles. Se você tem essa tendência, preste mais atenção! =)

 

2) A coerência razoável

O candidato que consegue apresentar, a cada parágrafo, ideias que mantêm relação entre si, consegue uma coerência razoável, ou seja, já está um pouco acima da média, mas não chega à nota máxima. Essa “relação de ideias” pode acontecer de diferentes formas, por exemplo: em uma redação, cujo tema seja padrão de beleza, você pode começar apresentando o tema, no parágrafo seguinte pode apresentar alguma desvantagem de se seguir um padrão de beleza, em seguida, pode falar sobre uma consequência disso para a sociedade, como o preconceito, por exemplo. Na conclusão, você pode apontar alguma medida que possa servir para intervir nos problemas causados pelo culto ao padrão de beleza atual. É claro que esse é apenas um exemplo, mas ele nos mostra que você planejou seu texto antes de começar a escrever. Aqui, temos um texto diferente daquela lista de comentários da qual falamos anteriormente. O seu texto já começa a dar indícios de que você tem uma boa organização de ideias e sabe colocar no papel aquilo que está em sua mente de forma coerente, conduzindo o leitor a entender sem muitos problemas a mensagem que você quer transmitir com o seu texto. No entanto, textos razoáveis não chegam à nota máxima por ainda apresentarem algumas falhas no meio do caminho. Isso significa, por exemplo, que um dos parágrafos não está bem alocado, pois em outra ordem daria mais sentido ao texto.

 

3) A coerência muito boa

Para obter uma nota máxima em coerência, é preciso que você faça tudo o que descrevemos para uma coerência razoável. O diferencial aqui está na qualidade dos seus argumentos e na condução estratégica da sua argumentação, fazendo com que o seu leitor consiga entender a mensagem que você quer transmitir logo de cara, sem precisar ficar voltando nos parágrafos anteriores para entender o que você estava falando. Para tal você deve saber selecionar bem os argumentos que vai usar, saber desenvolvê-los em cada parágrafo, explicá-los e relacioná-los sempre com o objetivo do seu texto que você deve definir antes de começar a escrever.

 

Com os exemplos que vimos, fica muito clara a importância de um projeto de texto para que você escreva coerentemente, eles andam juntos sempre! Portanto, antes de iniciar a sua redação, planeje o seu texto e verifique se as ideias e argumentos que você selecionou para compô-lo estão bem ligados uns aos outros. Fique atento para que seu texto não seja uma compilação de ideias aleatórias em torno de um tema central, pois isso deixará você com uma nota mediana em coerência. 

Por fim, lembre-se de que o seu leitor não sabe o que se passa dentro de sua cabeça e, portanto, você deve conduzi-lo pela leitura de forma estratégica, para que, ao terminar de ler o que você escreveu, o leitor possa compreender exatamente o percurso de ideias que você criou para construir o seu texto. Não tenha medo de detalhar as suas ideias! O que você deve evitar, de fato, é usar ideias óbvias , contraditórias ou aleatórias.

Bom, esse foi o post dessa semana. Espero que tenha ajudado vocês a entender um pouco mais sobre coerência. Pessoalmente, considero esse o critério mais difícil de entendermos e somente a prática da escrita pode nos trazer mais segurança na hora do vestibular.

 

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