Olá vestibulando! 

Como você bem sabe, apesar de atualmente estarem ocorrendo algumas mudanças com a inserção de outros gêneros na prova de redação, a dissertação argumentativa ainda é a grande estrela do vestibular. A grande maioria dos processos seletivos utiliza este gênero para avaliar o conhecimento linguístico dos candidatos. Isso faz com que ele seja bastante trabalhado na escola e nos cursos pré-vestibulares, mas, mesmo assim, percebo que os alunos têm grande dificuldade em desenvolver esse gênero. Por isso, vamos iniciar uma série em que iremos trabalhar a estrutura da dissertação argumentativa por partes para ajudar você a compreender melhor este tipo de texto.

Bom, vamos então começar do básico, com algo que com certeza você já ouviu falar. A dissertação tem uma estrutura específica, assim como outros gêneros. Ela está dividida em introdução, desenvolvimento e conclusão. O próprio nome de cada parte indica a sua função: introduzir, desenvolver e concluir. Perceba que, quando transformamos esses três nomes em verbos, fica evidente que escrever uma dissertação é uma tarefa objetiva, bem demarcada. E de fato é isso. Como falamos na semana passada, a dissertação é um gênero avaliativo, logo, ela exige objetividade para que possa desempenhar bem o seu papel.

Nas próximas semanas iremos abordar detalhadamente cada uma dessas partes. Por hora, vamos fazer uma macroanálise de duas dissertações, observando a sua estrutura como um todo, para que você possa compreender a importância de se guiar por ela. Primeiro vamos analisar uma dissertação acima da média do Vestibular 2010 da Unicamp, cujo tema foi Gerações. Leia, nas páginas 7 e 8, a redação Saudáveis divergências (http://www.comvest.unicamp.br/vest_anteriores/2011/download/comentadas/redacao.pdf).

Nesta redação, percebemos claramente que foi feito um excelente projeto de texto, a começar pelo título que anuncia bem o que será tratado na redação. Na introdução, o candidato apresenta duas perspectivas possíveis de se pensar a relação entre gerações: a perspectiva da cooperação/troca e a perspectiva do conflito. A tese dele é justamente essa, de que é preciso considerar a questão sob estes dois aspectos. Em seguida, no desenvolvimento, em cada um dos parágrafos ele irá desenvolver as duas ideias expostas brevemente na introdução. No segundo parágrafo, ele já aproveita o gancho da questão do conflito para discutir como este conflito entre gerações surgiu, e no terceiro parágrafo ele discute o outro viés da questão, o caráter positivo da relação intergeracional. Por fim, ele conclui falando que a relação entre as gerações é fundamental, pois promove o fortalecimento social. Perceba que a estrutura bem definida desse texto auxilia o leitor no percurso da leitura, contribuindo para a sua fluidez.

Agora vamos analisar um exemplo de redação abaixo da média da mesma prova. Leia na página 8 a redação De gerações a gerações… (http://www.comvest.unicamp.br/vest_anteriores/2011/download/comentadas/redacao.pdf). 

Nesta redação, até percebemos um encadeamento das ideias entre os três primeiros parágrafos, feito majoritariamente pela retomada explícita do tópico anterior (essas relações, os conflitos, essas diferenças), mas este encadeamento é quebrado no quarto parágrafo. Veja que não é possível identificar as três partes da dissertação, pois essa redação se constrói como uma lista comentários, que até podem ter relação entre si, mas que não têm uma progressão, não se parte de uma ideia geral que é desenvolvida e depois concluída. O texto sequer tem um fechamento. Como você pode notar, isso prejudica a leitura, pois o leitor não percorre um caminho bem delimitado, uma vez que ele não sabe o que encontrará no caminho (já que o texto tem uma estrutura que ele desconhece).

Acho que este é um bom elemento para te ajudar a perceber a importância da estrutura da dissertação: nós lemos textos, em geral, cujos formatos conhecemos e, assim, sabemos o que esperar deles. Quando alguém lê uma dissertação, espera que o tema seja apresentado na introdução, que ele seja ampliado e discutido no desenvolvimento e que ele seja finalizado na conclusão. Fugir dessa estrutura bagunça essa expectativa, dificultando a leitura e a compreensão do texto.

Na próxima semana começaremos a esmiuçar essa estrutura, analisando a introdução do texto dissertativo.

Bons estudos!

Profa. Danusa

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