Formas de abordar o tema “Jovens e o vício em tecnologia” na redação

4 mar 2020 | Blog, Estratégias e Técnicas de Estudo, Redação | 0 Comentários

Olá pessoal!

Na dica de hoje falaremos sobre formas de abordagem do tema “Jovens e o vício em tecnologia” na redação do ENEM.

Como já sabemos, o vício em tecnologia entre os jovens cresce em escala exponencial a cada ano, o que tem gerado a discussão desta temática em variados canais de comunicação. Especialistas, profissionais da saúde, educadores, pais e até mesmo os jovens se envolvem em uma rede de trocas, com o objetivo de buscar alternativas que possam amenizar os impactos do vício entre os meios de convivência social.

Para trabalhar o tema na redação do ENEM, é importante estabelecer os principais pontos que se relacionam aos elementos da proposta, ou seja, aos jovens, ao vício em tecnologia e às propostas que possam ajudar a sanar o problema. É como se fosse um esquema, norteado pelos três elementos acima:

Imagine que esse esquema textual seja uma receita de bolo: precisamos criar uma organização para cozinhar, uma certa ordem para acrescentar os ingredientes, que nos darão uma “liga” ideal, ou seja, o ponto da massa. Assim, vamos acrescentar, nossas ideias a serem trabalhadas, começando pelos fatores que podem levar os jovens a se envolver com a tecnologia, a ponto de não conseguirem viver sem o acesso ao celular e às mídias sociais. 

  • A falta de motivação é uma das causas mais discutidas entre os especialistas. Afinal, o que leva o jovem a preferir se relacionar com aparelhos eletrônicos, de maneira virtual, sem o convívio social e real da família e dos amigos? 
  • Em alguns casos, a carência nos relacionamentos consegue justificar o porquê de o jovem se fechar em um mundo virtualizado, em que ele é o senhor de todas as regras. Obviamente, se não há em sua vida o afeto, a compreensão e o apoio das pessoas a quem quer bem, a reação de construir um mundo para preencher esta lacuna é bastante utilizada por inúmeros jovens em todo o mundo.    
  • Já a falta de limites pode surgir a partir da negligência da família em estabelecer uma rotina de estudo e lazer, equilibrando as responsabilidades e os momentos de descontração para o jovem. Sem limitações, a tendência é o jovem buscar apenas os momentos que lhe causam prazer, distanciando-se das tarefas escolares, dos encontros em família e se dedicando exclusivamente à tecnologia.  
  • Outra forma de detectar as causas do vício são as influências dos amigos, que na adolescência costumam criar desafios aos participantes do grupo, desde a exigência de participação em jogos e nas redes sociais até a demonstração de que o mundo virtual é o melhor para a sua vida. Na ânsia em adquirir o status de altamente conectado, o que o jovem cria é uma rede de influência que pode assumir consequências catastróficas. 

Estes fatores podem atuar isoladamente ou não, pois a falta de motivação, por exemplo, pode ter como fundamento a carência nos relacionamentos, levando ao isolamento do jovem.  Assim, nosso esquema passa a ficar deste modo:

Ao tratar das causas, podemos discutir também sobre os efeitos e, assim, vamos incrementar nossa receita com alguns deles:

  • Os problemas na saúde tornam-se praticamente inevitáveis, quando o jovem se vicia em tecnologia, e vão desde a lesões nas articulações até a complicações de ordem psicossocial, como a dificuldade de concentração, o desenvolvimento de fobias e a incapacidade de se envolver com atividades grupais. 
  • Assim como a saúde, a perda da convivência social também é efeito do vício, já que o indivíduo perde as referências sociais do seu meio, como o contato com familiares e amigos. Isso pode desencadear ainda outros problemas, como o isolamento social e a dificuldade de se relacionar com as pessoas em outros ambientes, tais como na escola ou no local de trabalho. 
  • Outro efeito provocado pelo vício é a dependência dos dispositivos eletrônicos e da internet, situação na qual o jovem acredita que não há como sobreviver sem acessar sua rede social preferida, ou conferir seu celular a cada minuto. Este nível de envolvimento se compara ao da dependência química, e pode desencadear outros efeitos preocupantes, por exemplo, o desenvolvimento de comportamentos patológicos, que precisam ser avaliados sob o ponto de vista psicológico. 

Nossa receita está ficando mais completa, mas ainda não terminamos! Depois destes ingredientes, o nosso esquema se tornou mais “cheinho”:

Vamos passar agora aos temperos da nossa receita, ou seja, àqueles elementos que dão um toque e são fundamentais.  Pensando no texto, é importante trazer informações para fortalecer e sustentar a argumentação:

  • Sem dúvida, as pesquisas são fontes essenciais para que se demonstre a validade do argumento. Veja este exemplo: Uma pesquisa nacional revelou que 95% dos brasileiros com idades entre 15 e 33 anos se consideram viciados em tecnologia. No que se refere ao uso das redes sociais, o Facebook aparece com a adesão de 95% dos entrevistados, ao passo que Twitter e WhatsApp obtiveram, percentual de 72% e de 63%, respectivamente. 
  • O uso de argumento de autoridade no assunto também contribui para incrementar a argumentação, como neste caso: “O psiquiatra britânico Richard Graham, especialista em jovens com vício digital, alerta para o fato de que o nível de esgotamento do cérebro, quando se utiliza aparelhos tecnológicos continuamente e por longos períodos, é o mesmo do indivíduo acometido pela depressão e daquele usuário de anfetaminas”. 
  • Fatos históricos são outro meio de trazer reforços aos argumentos:  “Ao longo da História da Humanidade, o homem tem se deparado com crises existenciais que o levam a buscar refúgio em atividades que trazem prazer, como os jogos de azar; ou em substâncias químicas, entre elas a cocaína, que causam a alienação psíquica; ou mesmo no uso de aparelhos eletrônicos em excesso, como é o caso do celular. O problema concentra-se no fato de que hábitos praticados em demasia podem causar dependência e tornar-se viciantes, levando o usuário a um caminho permeado por conflitos e de difícil solução”.

Nossa receita está ficando cada vez mais saborosa, veja o esquema até aqui:

Agora, vamos trazer a cereja do bolo! Após refletir sobre o tema, indicar suas causas, seus efeitos e validar os argumentos com o conhecimento de mundo, chegou o momento de concluir com a proposta de intervenção. Como já sabemos, ela precisa abordar as soluções para os problemas que foram apresentados no texto, e não daqueles que sequer mencionamos. Por isso, todo cuidado é pouco nesta hora: como falamos sobre carência de relacionamentos, falta de motivação e influência de amigos, assim como de problemas de saúde e de convivência social, vamos trazer propostas que enfoquem estes aspectos:

  • Como prevenção, o exemplo da família é fundamental. Os pais precisam evitar usar os dispositivos para tranquilizar o jovem, para que fique quieto por algumas horas, e evitar que os jovens se isolem jogando durante as refeições. Há que dosar a compra de novos jogos, pois o momento em que o adolescente se cansa de um deles é a oportunidade de alternar com atividades fora da web. Com isso, as chances de levar o jovem ao vício vão diminuir e a convivência em família reforça ainda mais.  
  • Outra proposta pode ser: Vale marcar um horário para o uso e garantir que seja respeitado. Uma experiência interessante é a negociação de horas de uso de eletrônicos com outras tarefas, por exemplo: se arrumar o quarto, ganha mais quinze minutos de internet. E o principal, sobretudo com crianças: participar das atividades digitais junto com elas. Não só para monitorar, mas porque o relacionamento com os pais, em atividades desfrutadas em comum, pode ser o melhor dos presentes. Com práticas diárias como essas, a vida no seio familiar se tornará mais ativa e envolvente, impedindo a ocorrência do vício. 

Viu que é possível elaborar um bom uso do tema na redação? Seguindo os passos com tranquilidade e relacionando-os entre si, seu texto ficará digno dos melhores chefs confeiteiros. Não espere mais, comece a praticar e construa outros sabores de texto. O resultado é a vaga no curso dos seus sonhos!

Bons estudos!
Profa. Angélica

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