Olá, vestibulando!

Como você sabe, a prova de redação do Enem tem um diferencial em relação a outras provas de redação que avaliam a dissertação, que é a proposta de intervenção. Esse diferencial por si só já causa um pouco de dificuldade aos alunos, que, na escola, exercitam um pouco a habilidade de fazer críticas, mas quase não exercitam a habilidade de propor soluções. E, para aumentar a dificuldade, não basta apresentar uma proposta de intervenção social, é preciso que ela respeite os direitos humanos.

Bom, se pararmos para pensar, nem deveria haver a necessidade de se explicitar essa orientação, já que é dever de todos nós, enquanto cidadãos, respeitar os direitos humanos. No entanto, é fato que estamos vivendo em uma época em que cada vez mais cresce a intolerância à diferença, além disso, pelo fato de a dissertação argumentativa ser um gênero opinativo, ou seja, um gênero em que se pode expressar uma opinião pessoal (ainda que de forma impessoal), é necessário impor certos limites.

Escrever bastante é a única forma de tirar uma nota alta em redação. Clique e veja como começar!

A grande dificuldade dos alunos está em saber até onde podem ir na sua argumentação sem desrespeitar os direitos humanos. Para entendermos quais são esses direitos e como podemos emitir nossa opinião respeitando-os, vamos dar uma olhada em um dos artigos da declaração Universal dos Direitos Humanos:

Artigo II

1 – Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, idioma, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

2 – Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania. (Disponível em: <http://www.dudh.org.br/wp-content/uploads/2014/12/dudh.pdf>. Acesso em: 4 jun. 2015.)

Além dessa questão posta pelo artigo II, a Declaração, em geral, versa sobre os direitos que devem ser assegurados a todos os seres humanos: direitos à moradia digna, à saúde, à remuneração que permita uma vida digna, ao lazer, etc. Sobre esses direitos, não há divergência, já que, em teoria, todos nós concordamos que eles deveriam ser respeitados. O problema está mesmo na questão da diferença entre as pessoas.

Assim, desrespeitar os direitos humanos na sua redação seria propor soluções absurdas que tenham como princípio a discriminação de um grupo por algum dos aspectos citados no artigo II da Declaração. Por exemplo, ideias como “os países devem expulsar os imigrantes porque são inferiores aos nativos”; “ricos e pobres não podem se misturar, por isso a habitação social deve ser feita nas periferias, e não em regiões centrais”; “certos grupos são menos inteligentes ou menos esforçados e por isso ganham menos, não têm emprego”; etc. É até difícil escrever essas coisas, de tão absurdas que são!

Assim, você pode perceber que qualquer proposta que faça diferença entre as pessoas por alguma condição social fere os direitos humanos, uma vez que eles preveem o respeito à diversidade.

Dessa forma, procure fazer propostas razoáveis, que estejam fundamentadas em argumentos. Isso não significa que você não possa ser contrário a certas práticas ou políticas que defendam grupos que são historicamente marginalizados. Você pode ser contra as cotas para os negros nas universidades, mas precisa fundamentar esse ponto de vista em um argumento, dizendo, por exemplo, que isso não resolve o problema, pois se essas pessoas não estiverem preparadas não conseguirão se formar e, por isso, é mais importante investir na melhoria do ensino básico. Veja que este é um ponto de vista polêmico, mas não fere os direitos humanos. Agora, se você fundamentasse esse ponto de vista em algum “argumento” que tratasse os negros como menos inteligentes, aí sim estaria ferindo os direitos humanos. Percebe a diferença?

Portanto, mesmo que você tenha opiniões mais polêmicas, com um tom intolerante, guarde-as para você e tente ser razoável na escrita da redação, respeitando a diversidade. Para desenvolver opiniões consistentes, é importante que você leia bastante e que se informe, por exemplo, por meio de debates. Há vários no Youtube, como os da TV Cultura, Globo News e Futura. Tudo isso irá ajudá-lo a construir um repertório e a refletir sobre questões polêmicas que possam ser abordadas na prova de redação do Enem.

*As questões polêmicas que citei aqui são apenas EXEMPLOS, coisas que geralmente aparecem em comentários na Internet e em redações que corrijo. Elas não refletem minha opinião sobre os temas abordados.

Até a próxima semana!

Profa. Danusa

Treine redação online para o Enem em nossa comunidade gratuitaTenha seus textos corrigidos por membros da comunidade e melhore seu resultado semana após semana.