Olá vestibulando!

 

Na semana passada, apresentamos a você um importante recurso que deve ser observado na escrita de qualquer texto, especialmente na escrita da redação: o paralelismo sintático e semântico. Como você pôde observar, o paralelismo não é um recurso apenas estilístico, ele é uma importante ferramenta para dar coesão ao texto e fluidez à leitura, evitando possíveis quebras. Para reforçar a sua importância, hoje vamos analisar uma das redações acima da média do Vestibular da Fuvest 2012, mostrando os momentos em que o paralelismo foi empregado.

 

Leia a redação aqui: http://www.fuvest.br/vest2012/bestred/127933.html.

 

Como você pode perceber, este é um texto muito bem construído, cuja coesão bem empregada permite a fluidez da leitura. Isso se deve, principalmente, ao bom uso dos recursos coesivos, entre eles o paralelismo. Destacamos, a seguir, alguns exemplos:

  1. Entretanto, enquanto muitos árabes lutam por seus direitos políticos, o mundo ocidental parece ter descartado tal conquista […].  

 

  1. […] elas preferem abortar qualquer embrião político dentro delas e substituí-lo por forças não-políticas voláteis […].

 

  1. […] prefere trocar o indispensável (a política) pelo dispensável e supérfluo (simbolizados em seu ávido desejo de consumir).

 

  1. […] o homem moderno demonstra sua descrença em um senso coletivo que batalha por um ideal e objetiva mudar a sociedade […].

 

Nestes quatro exemplos, percebemos o emprego correto de construções paralelas. Em 1, é utilizada a estrutura “enquanto x, y”: “enquanto {os árabes lutam}x, {os ocidentais descartam}y”. Você pode se perguntar se não haveria uma quebra aí na forma verbal que está diferente nas duas orações. De fato, há uma quebra, mas há um propósito para ela, pois a inserção de parece, que implica na alteração da forma verbal, está aí para atenuar o que é afirmado, fazendo com que o autor do texto não se comprometa tanto com a afirmação que fez. Além disso, percebemos que essa quebra não prejudica em nada a leitura e a articulação entre as duas orações, por meio da conjunção proporcional  enquanto, foi feita de maneira correta.

 

No enunciado 2, temos a articulação de duas orações por meio da conjunção coordenativa e, sendo essas duas orações complementos do verbo preferir: “preferem abortar x e substituir x” (neste caso x é substituído por um pronome, também bem empregado). Em 3, temos a estrutura “trocar x por y”, na qual x e y precisam ter o mesmo valor sintático, como ocorre neste enunciado: “prefere trocar x (adjetivo substantivado) por y (adjetivos substantivados). Por fim, em 4 percebemos um emprego paralelo das formas verbais batalha e objetiva.

 

No entanto, por mais que a redação esteja muito bem escrita, é possível perceber dois erros em relação ao paralelismo, como mostramos a seguir:

 

  1. […] prefere trocar o indispensável (a política) pelo dispensável e supérfluo (simbolizados em seu ávido desejo de consumir).

 

  1. Nesta, milhares de pessoas lutaram pelos seus direitos e exigiam algo que muitos parecem ter esquecido: participação política.

 

No enunciado 3, percebemos falta de paralelismo dos elementos que aparecem entre parênteses, exemplos do que é dispensável e indispensável, pois, no primeiro caso, temos um substantivo, enquanto no segundo temos uma oração. Para resolver este problema, poderíamos simplesmente substantivar a oração por meio de “o consumo”: “Prefere trocar o indispensável (a política) pelo dispensável e supérfluo (o consumo).”.

 

Em 5, o problema está no tempo dos dois verbos das orações coordenadas, lutar e exigir, pois o primeiro está flexionado no pretérito perfeito, enquanto o segundo está flexionado no pretérito imperfeito, o que causa uma quebra na leitura. O correto aqui seria deixar os dois verbos no pretérito perfeito, pois está sendo narrado um fato que ocorreu pontualmente no passado: “Milhares de pessoas lutaram pelos seus direitos e exigiram algo que muitos parecem ter esquecido […].”.

 

Perceba que, apesar destes erros, a leitura do texto não fica prejudicada, primeiro porque há mais acertos do que erros, segundo porque os dois erros que encontramos não chegam a prejudicar a compreensão do que foi escrito, causando apenas um “ruído”. Nessas estruturas, não falta qualquer informação, nem há quebra na coesão, por exemplo. Assim, este é um bom exemplo de texto coeso e fluído, que emprega corretamente o paralelismo.

 

Esperamos que essa análise tenha ajudado você a compreender melhor este importante recurso textual! Aproveite e pratique escrevendo sua redação!

Bons estudos e até a próxima!
Profa. Danusa

 

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