Olá, vestibulando!

Na semana passada falamos sobre o uso equivocado da palavra mesmo, quando ela é utilizada no lugar de pronomes pessoais (como ele, ela) ou até em contextos sintáticos inapropriados, causando problemas de compreensão no texto. Depois de mostrar que esse uso, apesar de bastante comum, está errado de acordo com a gramática, ficou a seguinte questão: quais seriam então as funções de mesmo na língua? É isso que pretendemos mostrar nesse post.

Para responder a essa pergunta, observe os enunciados a seguir:

  1. Eu tenho o mesmo defeito, sou perfeccionista.
  2. Eu quero o mesmo.
  3. Esse ônibus é o mesmo que a gente pegou na ida.
  4. Eu mesma quero verificar o relatório.
  5. Ele gosta dela mesmo./Ele gosta mesmo
  6. Mesmo não gostando da ideia, aceitou sem reclamar.

A primeira coisa que você deve perceber é que nesses enunciados a palavra mesmo tem um sentido e uma função diferente, o que mostra que esta é uma daquelas palavrinhas da língua capazes de assumir diferentes sentidos (é polissêmica) e desempenhar diferentes papéis sintáticos (é polifuncional). Vamos ver então como mesmo funciona em cada um desses contextos?

  1. Neste enunciado, mesmo funciona como um adjetivo (modifica um nome), significando “igual, idêntico, análogo”. Perceba que mesmo está qualificando o substantivo defeito como igual, idêntico: Eu tenho um defeito igual ao seu, sou perfeccionista.
  2. Veja que nesse enunciado mesmo não está qualificando nada. Na verdade, pensando que esse enunciado é dito em uma situação como fazer um pedido em um restaurante, por exemplo, ele está substituindo o nome que qualifica e que fica oculto: Eu quero a mesma coisa que ele pediu/o mesmo prato. Dessa forma, mesmo está funcionando aqui como um substantivo masculino. Esse processo de substituição ocorre também com outros adjetivos, como em: O esperto deixou o pacote cair./O folgado foi embora e largou tudo lá. Como vimos na semana passada, a palavra mesmo que aparece no aviso do elevador foi interpretada dessa forma em uma brincadeira feita no Orkut.
  3. Nesse enunciado ocorre algo parecido. Poderíamos fazer a seguinte substituição: Esse ônibus é aquele que a gente pegou na ida. Assim, percebemos que mesmo aqui funciona como um pronome demonstrativo.

Antes de darmos continuidade à nossa descrição, quero chamar atenção para o fato de que, nesses três casos, prevalece o sentido de igualdade, de equivalência. Nos enunciados a seguir, vamos perceber que esse sentido muda.

  1. A palavra mesmo pode funcionar ainda como um reforçador ao ser articulada a nomes e pronomes, quando se deseja enfatizar que se trata do ser ou da própria coisa, e não outra. Outros exemplos dessa função: Ex.: Eu mesma fiz o bolo./Eu quero esse mesmo./Ele julgou a si mesmo como incapaz.
  2. Nesse enunciado, perceba que no primeiro caso mesmo está modificando toda a oração, enquanto no segundo modifica apenas o verbo, porém o sentido permanece: o de reforçar, dar ênfase, significando realmente, de fato. Mesmo é equivalente também a outros advérbios, como até, ainda, precisamente, etc.: Mesmo nos dias frios ele sai para caminhar. (Até nos dias frios ele sai para caminhar.)
  3. Por fim, mesmo pode assumir também o papel de conjunção concessiva, equivalente a ainda que, embora (Embora não tivesse gostado da ideia, aceitou sem reclamar.).

Há ainda as expressões “na mesma” e “dar na mesma”, bastante utilizadas, que indicam que uma situação continua como estava, que não houve mudanças.

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Viu quantos papéis o mesmo desempenha na língua? Mas calma, não se desespere. Você não precisa decorar todos esses usos e classificações. Nossa intenção é apenas mostrar a você quais são as possibilidades de uso dessa palavra, pois palavras polissêmicas e polifuncionais como essa podem nos confundir de vez em quando.

Mas é bom ficar atento quando for escrever sua redação e principalmente quando for revisá-la, para evitar que mesmo seja usado de maneira errada, causando problemas de compreensão no texto.

Esperamos que vocês tenham entendido melhor o uso dessa palavra e, principalmente, de onde veio o uso errado do qual falamos na semana passada.

Bons estudos e até a próxima!

Profa. Danusa

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